Dois anos atrás eu fiz um pequeno intercâmbio para Londres e antes de embarcar fiz alguns posts relacionados ao assunto: Intercâmbio – Parte I e Intercâmbio – Parte II, para esclarecer algumas dúvidas até mesmo dos meus amigos.

Esse é um assunto que eu amo falar e pesquisar, sou louca para fazer milhares de outros intercâmbios. Então resolvi compartilhar um pouco da minha experiência e também sobre Londres, já que eu nunca falei nada por aqui.

Resolvi começar com um update nesses dois posts, basicamente o que mudou com a experiência. Aquela diferença da expectativa X realidade sabe?

Como escolher meu curso lá fora? Qual é a melhor empresa?

O lugar nunca foi problema, eu sempre nutri um amor gigantesco pela Inglaterra, desde sempre eu queria conhecer Londres. Mas vai de cada um, depende dos seus gostos, das experiências que você quer viver e de quando você pode ir. Eu fiquei um mês e tive que ir em janeiro por causa do trabalho e da faculdade. Foi pouco? Talvez, mas deu para aproveitar bastante e conhecer vários lugares da cidade. Era inverno, então peguei vários dias com temperaturas de 4 a -1 graus, conheci a neve e fiquei doente um dia sim e o outro também HAHAH A parte mais chata não foi o frio,você acaba acostumando. O problema é que durante o inverno os dias são mais curtos, quando dá umas 17h parece que já são 21h, no verão seu dia acaba rendendo mais, principalmente nos passeios ao ar livre.

O mesmo falo sobre a empresa. Vai do curso que você quer, a escola que você quer estudar. Um conselho? Pesquise, fale com amigos ou conhecidos que já foram, não escolhe de primeira não! Tire todas as suas dúvidas e lembre-se de que a sua experiência vai ser diferente da minha que também foi diferente da experiência dos meus amigos, não existe comparação, cada um vive e sente de uma maneira.

Qual é a melhor idade para fazer intercâmbio?

Continuo com o mesmo pensamento de que não existe uma idade certa, toda oportunidade de você fazer um intercâmbio você deve agarrar e não soltar. Gente, tava lendo o post para fazer o update e só tenho uma coisa para falar para a Bia de dois anos atrás: Coitada de você menina, tá toda se achando independente aí, mal sabe da vida HAHAHAH Olha eu pensava que sabia me virar até chegar em um país sozinha e ter que encarar todos os pequenos probleminhas que aparecem. Cuidar da minha bagunça, controlar meus gastos (primark meu amor), não descuidar dos documentos (eu quase perdi minha carteira com dinheiro e meu passaporte) e ficar atenta até quando os créditos do oyster vencem. Hoje lembro de algumas situações e até dou boas risadas, mas na hora eu estava era desesperada. Uma noite meu celular acabou a bateria e eu não sabia voltar para casa, eu não tinha a menor ideia de qual ônibus pegar e a estação do meu trem de todo dia estava fechado (é comum algumas estações fecharem aos sábados ou domingos). A sorte é que minha mãe sempre falava: anda com o endereço da sua casa na bolsa. Eu entrei em um ônibus mostrei para o motorista o endereço e falava: moço, eu estou perdida, mas preciso chegar aqui ó, literalmente tá? Apontando o dedo para o endereço e tudo mais HAHAHA ele disse para eu descer em um ponto e esperar tal ônibus. O problema é: eu desci em uma praça escura, sem ninguém por perto, imagina meu desespero. Foi aí que entrei no próximo ônibus que apareceu, rápido (obrigada Deus) e fiz a mesma coisa. Esse motorista me ajudou falando o ponto certo (sim, aquele era errado) e o número do ônibus. Bom, cheguei viva mas tenho traumas de ônibus, sim aquele vermelho de dois andares que todo mundo é apaixonado (desculpa Bia da infância, um dia nós vamos superar isso). Outra situação: eu bloqueei meu cartão. Liga para o Brasil, para a mãe, para Deus e o mundo, mas também também sobrevivemos a isso.

Hoje percebo que se eu fosse mais nova eu seria um verdadeiro desastre, mas faz parte né? Isso só serviu para meu amadurecimento.

Casa de família x Residência estudantil?

Chegamos a um ponto muito, mas muito importante HAHAHA Eu fiquei em casa de família em um bairro muito tranquilo chamado New Eltham, Morava em uma das ruas principais, três quarteirões da estação de trem e dois do ponto de ônibus. Nessa rua tinha tudo: mercadinho, lavanderia, restaurante, salão de beleza e até imobiliária com aqueles preços gigantescos, sério, aluguel é algo absurdo lá. Acho que tive sorte, 30 minutos e já estava em Waterloo, estação perto da escola. Tive amigos que moravam mais longe, que reclamaram sobre suas famílias e que tentaram por várias vezes mudar de casa.

Morei na casa de uma senhora muito simpática que até se preocupava com a gente. No café quando a encontrava perguntava sobre a minha vida no Brasil e não se importava de me escutar toda hora falando da saudade que eu estava dos meus cachorros (desculpa família e amigos, mas com vocês eu tinha um contato né?). Ela falava o quanto eu deveria agradecer pela oportunidade de conhecer outra cultura e aperfeiçoar o inglês. Bate até saudades dela, de verdade, tenho vontade de visitá-la mas não sei se ela se lembrará de mim, são tantos estudantes indo e vindo que deve ser difícil né? Como eu quase sempre estava atrasada, nos víamos mais no jantar, sempre por volta das 21h, quando juntava eu e mais quatro estudantes. Quatro línguas diferentes, um italiano, um mexicano e um venezuelano. Tudo bem que espanhol a gente até que entende né? Convivia mais com a mexicana, já que dividíamos o quarto, mas a hora do jantar era um momento quase único. Conversávamos sobre a escola, sobre nossos países e sobre nada também, conversa jogada fora. Ah! Havia dois outros estudantes, mas quase não ficavam por lá, um francês e um suíço. Também moravam a filha e a neta que também não tive nenhuma proximidade e dois gatos.

Dividir um quarto foi tranquilo. Eu tinha minha cama, duas prateleiras, um espaço da mesa e também no cabideiro. Tentei não deixar bagunça e fazer o mínimo de barulho possível. O banheiro também era compartilhado pelas mulheres e eu tinha a pequena tarefa de limpar a banheira e o chão toda vez que eu tomava banho, quase sempre a noite. Tinha o frio, o barulho e minhas aulas no primeiro horário que eu custei a não perder, então quanto mais rápida de manhã, menos atrasada. Mas isso é uma teoria tá? Porque eu perdi muito trem nessa vida em Londres.

Então tá, depois que desandei a falar. Vamos ao ponto: se eu fosse para outro intercâmbio eu ficaria de novo na casa de família? Olha, a resposta é não. Apesar de toda a minha experiência ter sido positiva, em alguns momentos eu senti falta de ter o meu espaço, poder ouvir som na altura que eu quisesse, poder tomar banho qualquer hora, essas pequenas coisas. Tenho muita vontade de viver o outro lado, em uma residência estudantil. Mas não me arrependo não! Recebi um amparo que talvez na residência não receberia e por ter sido a minha primeira viagem internacional, ficar longe de todo mundo que eu conhecia e mal falar a língua do país foi a melhor escolha que poderia ter feito na ocasião.

Meu deus, eu falei muito né? Me desculpem? Queria pedir um favorzinho a vocês, por favor comentam aqui se gostaram, o que querem saber, dúvidas que vocês tem. Quero muito saber a opinião de vocês <3

1 Comment on Update: Intercâmbio – Parte I

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