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Sobre as nossas fotos escondidas

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Eu tinha escondido nossas fotos, apaguei as mensagens e deletei o seu contato do meu celular, o mais rápido que pude.

Me esqueci que não dá para fazer o mesmo com o coração. Fui inocente ao pensar que eu conseguiria da noite para o dia apagar quase três anos de lembranças, de boas lembranças. Eu precisaria esquecer de alguns aniversários, dos churrasco entre amigos, do momento em que cheguei na faculdade e de tantos primeiros dias.

O tempo demorou a esquecer sua voz, o conforto do seu abraço mas deixou para traz resquícios do seu sorriso. Ficaria sem graça se esquecesse teu jeito bobo de me fazer rir e de como você era um dos únicos a me chamar pelo meu apelido preferido.

Sentimentos se transformam o tempo todo, como nós também nos transformamos. Você não me reconheceria do mesmo jeito que quando te encontrei aquele dia no bar, não o reconheci. Não é o mesmo garoto pelo qual me apaixonei tão cegamente anos atrás, não é o mesmo cara que guardei mágoas que me fizeram trancar a porta para qualquer outro par de olhos azuis, castanhos, pretos ou verdes.

Encontrei as fotos quando procurava outras lembranças com algumas amigas. Estranho né? Mas senti uma pontada de saudades, daquele tempo, não saudades te pedindo para voltar, como pedi várias vezes em silêncio. Foi um tempo bom, com sensações incríveis.

Senti a vida me mandando um recado, senti um ombro amigo, alguém que se importa, me dizendo para deixar tudo sempre assim. “Deixa a alma, o coração e a tua vida pegando o melhor do que já viveu.” Resolvi deixar, te deixar, me deixar respirar e ver onde é que a vida vai nos levar.

Um exagero, um desabafo e 22 anos

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Quando era criança queria ser arqueóloga. Eu tinha onze anos, era apaixonada por Jurrasic Park, colecionava dinossauros e achava incrível a vida de aventuras do Indiana Jones. Eu acreditava na ilha Sonar, profecias e sociedades secretas. Eu amava história.

Quatro anos depois encontrei na escrita uma forma de desabafar sobre tudo o que me incomodava no mundo. Esses textos eram horríveis e até confesso, sempre fui – com todos os exageros – drama queen. Meus sonhos mudaram nessa época, eu queria escrever livros, estudar cinema e conhecer o mundo.

Com dezoito  anos entrei na faculdade. Acabou que história, leitura e a escrita me levaram ao jornalismo. Pela primeira vez percebi que algo na minha vida fazia sentido. Queria de algum modo mudar o mundo, mas esqueci que é justamente ele, quem faz com que a mudança aconteça nas nossas vidas.

Com vinte e um, vinte e um gente, dá para acreditar? Com quase os dois pés na vida adulta, a espera pela carta de Hogwarts, a trilha sonora com Beatles e McFly e o meu encantamento com a família real britânica, tudo bem, a minha paixão pelo príncipe Harry, me fizeram chegar em Londres. Um tapa bem dado na cara, a terra da Rainha me lembrou de todos os sonhos que carregava comigo. Voltei mais leve, um pouco confusa e feliz.

Foi um ano complicado, desgastante e com muito sono acumulado.

Agora são 22, esse texto está atrasado, faço em Dezembro, desculpa! Minha falta de time é incrivelmente horrível. Com os dois pés já na vida adulta, recém-formada em jornalismo, empregada e com milhares de responsabilidades, ainda me pergunto qual é o meu lugar.

Esqueço com frequência que se tem algo que nós sabemos é o lugar onde pertencemos e quem amamos. O mundo pode e dá voltas, mas nós sempre paramos onde sentimos que estamos em casa e nada impede de termos várias espalhadas por aí. Anota algo de extrema importância: pessoas também são nossos lares.

Grande culpa é do problema de sempre. Nós gastamos horas nos arrependendo pelo passado e colecionando ilusões sobre o futuro que esquecemos de apenas viver e aproveitar o que temos nesse momento.

A vontade de voar para longe e me sentir livre não diminui, essa nunca passa. Mas está tudo bem, sempre fica bem.

Quer saber? Algo me diz que esse sorriso meio de canto, esse suspiro profundo e o pouco de brilho nos olhos são um sinal – eu sempre acreditei neles – de que estou no caminho certo, mesmo me sentindo completamente errada, confusa ou apenas exagerando sobre tudo ao meu redor.

 

Encontro de cinema

 

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Eu gostaria muito de ir a um encontro igual ao que vemos nos filmes quando vamos ao cinema. Sabe quando o garoto, depois de esbarrar por várias vezes, trocar olhares nos corredores do colégio, respira fundo e encontra coragem para chamar a garota para sair?

Então no horário combinado ele a busca em casa, aperta a campainha e quando ela abre a porta, fogem todas as frases prontas que ele passou a tarde toda decorando e repetiu por várias vezes durante o trajeto.

Mesmo assim, ele deixa claro que ela é a garota mais linda do mundo e sem querer deixa escapar um sorriso, aquele que nós costumamos a chamar de bobo. O primeiro dos incontáveis da noite.

Eles vão para um restaurante, nada de cinco ou seis estrelas. Uma decoração simples, velas na mesa e vinho para começar. A garota acaba rindo, não por reparar que o terno que ele está usando está um pouco grande e tem grandes chances de ser do seu primo mais velho, ou porque ele já derrubou os talheres no chão e quase quebrou as taças, mas porque ele não precisava de tanto para chamar sua atenção. Ela já está apaixonada bem antes do primeiro olhar.

Ele não se importa se o seu pedido é acompanhado por batatas fritas ou que ela derrube ketchup na roupa, ele aproveita para se aproximar passando o guardanapo. Quanto a sobremesa? Ela não precisa recusar, só ter paciência porque ele prefere a torta de chocolate ao cheesecake de morango que ele havia pedido.

No final da noite, ele a leva para casa, acompanha até a porta, mas nada de beijos. A garota sobre as escadas e quando entra no quarto percebe que tem uma mensagem no seu celular. “Vá até a janela”

Ela corre para a janela e o garoto está lá em baixo, acenando para que ela desça. Eles se encontram no jardim e sem esperar uma palavra, o beijo acontece.  O clássico momento das pontadas no estômago, das pernas trêmulas, o aviso de que milhares de borboletas acabaram de chegar.

Então você torce por esse casal. Não porque você ainda tem dúvidas de que eles irão terminar juntos, mas porque ele te lembra alguém que está do seu lado e aquela garota é bem parecida com você.

Mas levando em conta que o filme dura menos que duas horas, acho melhor um encontro de uma série com várias temporadas. Assim a gente aproveita e coloca uma pitada de drama, até porque o que é o amor sem alguns exageros e um desencontros no meio do caminho.