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Nunca contei sobre os motivos que me faziam mentir toda vez que ficávamos sozinhos conversando. No fundo você sempre soube que eu nunca fui quem eu realmente era – mesmo que fosse perdida com todas as minhas confusões.

E se for pra falar de saudade, então que eu fale sobre aqueles pequenos momentos com abraços apertados, seus olhares me dizendo o quanto você se importava e nossas risadas, que sempre me ajudavam a disfarçar todas as lágrimas que deixei cair em todos esses anos. O seu perfume na minha roupa, o seu número já decorado e a sua mensagem me chamando pelo meu apelido preferido.

Se pelo menos eu pudesse esquecer os momentos bons que eu passei ao seu lado, deixar para lá todas as brigas –  que no final tiveram sua razão, e sumir com todas as mágoas que permaneceram aqui, dentro de mim, dividindo o espaço com todo o amor que ainda sinto por você.

Quem dera que se por um desencontro eu não tivesse te posto no meu caminho. Teria poupado todos esse tempo em que me perdi tentando encontrar um modo de encaixar nós dois no mundo e não teria me custado tantas noites acordada, escrevendo sobre planos de fugir para bem longe, todos jogados fora.

Eu não teria me apaixonado por você, pelo seu jeito tão diferente do meu de viver.Talvez não conhecesse alguém com um coração tão grande quanto ao meu e com um orgulho até maior do que o meu. Não teríamos histórias, se bem que elas não fazem mais sentido, eu não poderia contar para meus filhos uma história com o título: Quando eu me desencontrei com seu pai.

Sabe, sempre imaginei nós dois juntos, se apaixonando um pouco mais a cada dia. Nos casando, tendo nosso casal de filhos, o meu herói e a sua princesa, e é claro, nosso cachorro. Tão filme não é mesmo? Que pena que resolvemos trocar o gênero e tudo acabou virando um verdadeiro drama.

Você seria aquela pessoa que me levantaria quando eu por um deslize demonstrasse tanta fragilidade, logo eu que sempre fui tão independente, que sempre disse não precisar tanto de alguém. Esperaria o tempo que fosse, largaria quem fosse e daria tudo em troca, se você no meio do caminho segurasse a minha mão e me ajudasse a enfrentar o mundo.

Mas no final acabaria me doando demais, como sempre. Viveria apenas os seus sonhos, sempre tão diferentes dos meus, e me frustraria por não viver tão livre por aí.

Nunca perguntei o que passou pela sua cabeça quando descobriu sobre meus sentimentos, não,   é só por curiosidade mesmo, só para saber se foi tão diferente de todas as reações que já passaram pela minha cabeça. Mas você não falaria nada, iria mexer no cabelo, pelo menos umas cinco vezes e depois de alguns minutos em silêncio perguntaria se ainda éramos amigos. Quando na verdade, já tínhamos deixado de lado nossa amizade. Confesso que me prendi em manter as aparências, sabe aquela velha história que tudo está tão ruim que já não pode mais piorar? Então.

Em pensar que um dia já fomos diferentes, você tão atencioso, eu tão carinhosa. Quando foi que ficamos assim? Tão indiferentes a nós mesmos ao ponto de fingir companhias agradáveis? Quando foi que virou paixão e se transformou em amor? Quando respiramos por alguns segundos e discutimos sobre nossa relação? Quando foi que dei um basta em tudo isso e você não me contrariou?

Taí, sem começos, com meios conturbados e acabou que nunca tivemos um final. Você apenas insistiu em permanecer no meu coração, enquanto me contentei em ser só mais uma, que passou pela sua vida e saiu sem ao menos pedir permissão.

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