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Quando o amor não for mais sobre você

 

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Eu estive pensando sobre como vai ser daqui para frente, sem você. Me bateu aquele medo sabe? Uma mistura de frio na barriga com um aperto gigante no meu coração – a mesma sensação que tive quando estive em uma montanha russa pela primeira vez.

Minha vida nunca se resumiu a nós, eu sempre tive minhas rotinas, manias e meu jeito, nem sempre tão interessantes do que tínhamos, mas sempre tive uma parte que nunca precisou da sua companhia. Mesmo assim confesso que é totalmente estranho sentir a vontade de realizar planos e sonhos que tanto falei em todos aqueles rabiscos no meu caderno antes de dormir, sozinha.

Meu desespero aumenta quando penso que aos poucos esqueço de como é a sua voz, o cheiro do seu perfume ou mesmo a sensação que sentia quando você vinha sorrindo em minha direção. Aos poucos aquelas velhas lembranças se transformam no que sempre foram, em passado, e se perdem nas falhas da minha memória. Com sorte um dia eu ainda lembre de algum momento, algumas gargalhadas, alguns abraços.

Falando nisso, morro de saudades de um abraço apertado, daquela segurança que você me passava em apenas um olhar, de toda a sua compreensão com o meu jeito tão rude de lidar com sentimentos.

Meses irão passar e então vamos passar por aquelas situações desagradáveis, vamos nos esbarrar em festas ou mesmo pela cidade e nos sentir obrigados a perguntar sobre como cada um está, mesmo não sendo do nosso interesse em saber quem é a pessoa que está ao lado nos acompanhando e assumindo um lugar que um dia preenchemos na vida um do outro. Por favor, não finja que somos amigos, nós nunca soubemos lidar com limites, eu não suportaria conviver perto estando ao mesmo tempo tão longe.

Queria apenas saber como faço para dormir sem a sua ligação me desejando boa noite, transformar antigos sonhos, reformular histórias e abrir mão de duas vidas – uma só nunca foi o bastante para nós dois. O que é preciso fazer para entender que é melhor assim, porque no momento essa parece ser a pior decisão que poderíamos tomar.

Não sei, não quero remexer em nada disso. É só que eu tenho tanto medo de como a vida vai ser, quando um dia eu falar em amor e não for mais sobre você.

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Nós nunca tivemos um final

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Nunca contei sobre os motivos que me faziam mentir toda vez que ficávamos sozinhos conversando. No fundo você sempre soube que eu nunca fui quem eu realmente era – mesmo que fosse perdida com todas as minhas confusões.

E se for pra falar de saudade, então que eu fale sobre aqueles pequenos momentos com abraços apertados, seus olhares me dizendo o quanto você se importava e nossas risadas, que sempre me ajudavam a disfarçar todas as lágrimas que deixei cair em todos esses anos. O seu perfume na minha roupa, o seu número já decorado e a sua mensagem me chamando pelo meu apelido preferido.

Se pelo menos eu pudesse esquecer os momentos bons que eu passei ao seu lado, deixar para lá todas as brigas –  que no final tiveram sua razão, e sumir com todas as mágoas que permaneceram aqui, dentro de mim, dividindo o espaço com todo o amor que ainda sinto por você.

Quem dera que se por um desencontro eu não tivesse te posto no meu caminho. Teria poupado todos esse tempo em que me perdi tentando encontrar um modo de encaixar nós dois no mundo e não teria me custado tantas noites acordada, escrevendo sobre planos de fugir para bem longe, todos jogados fora.

Eu não teria me apaixonado por você, pelo seu jeito tão diferente do meu de viver.Talvez não conhecesse alguém com um coração tão grande quanto ao meu e com um orgulho até maior do que o meu. Não teríamos histórias, se bem que elas não fazem mais sentido, eu não poderia contar para meus filhos uma história com o título: Quando eu me desencontrei com seu pai.

Sabe, sempre imaginei nós dois juntos, se apaixonando um pouco mais a cada dia. Nos casando, tendo nosso casal de filhos, o meu herói e a sua princesa, e é claro, nosso cachorro. Tão filme não é mesmo? Que pena que resolvemos trocar o gênero e tudo acabou virando um verdadeiro drama.

Você seria aquela pessoa que me levantaria quando eu por um deslize demonstrasse tanta fragilidade, logo eu que sempre fui tão independente, que sempre disse não precisar tanto de alguém. Esperaria o tempo que fosse, largaria quem fosse e daria tudo em troca, se você no meio do caminho segurasse a minha mão e me ajudasse a enfrentar o mundo.

Mas no final acabaria me doando demais, como sempre. Viveria apenas os seus sonhos, sempre tão diferentes dos meus, e me frustraria por não viver tão livre por aí.

Nunca perguntei o que passou pela sua cabeça quando descobriu sobre meus sentimentos, não,   é só por curiosidade mesmo, só para saber se foi tão diferente de todas as reações que já passaram pela minha cabeça. Mas você não falaria nada, iria mexer no cabelo, pelo menos umas cinco vezes e depois de alguns minutos em silêncio perguntaria se ainda éramos amigos. Quando na verdade, já tínhamos deixado de lado nossa amizade. Confesso que me prendi em manter as aparências, sabe aquela velha história que tudo está tão ruim que já não pode mais piorar? Então.

Em pensar que um dia já fomos diferentes, você tão atencioso, eu tão carinhosa. Quando foi que ficamos assim? Tão indiferentes a nós mesmos ao ponto de fingir companhias agradáveis? Quando foi que virou paixão e se transformou em amor? Quando respiramos por alguns segundos e discutimos sobre nossa relação? Quando foi que dei um basta em tudo isso e você não me contrariou?

Taí, sem começos, com meios conturbados e acabou que nunca tivemos um final. Você apenas insistiu em permanecer no meu coração, enquanto me contentei em ser só mais uma, que passou pela sua vida e saiu sem ao menos pedir permissão.

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