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Ele cantarola Cazuza. A voz leve, o espírito livre. Me entrelaça para tentar me ensinar algumas notas que mesmo simples, eu não consigo aprender. Música nunca esteve entre os meus talentos, mas é o que ele tem de sobra.

Está tudo bem! Eu fico bem aqui, quieta, prestando atenção em cada verso, em cada estrofe e em cada tom.

Ele escreveu uma música para mim e morreria de vergonha se eu compartilhasse com alguém, então me perdoem, prometo que tentarei chantagens e mais chantagens para convencê-lo.

Ele tem a voz doce, mas tem a cabeça dura que quando junta com o meu gênio forte é melhor ninguém ficar por perto. Ele me abraça como se eu fosse seu mundo, mal sabe que sou eu quem estou abraçando o meu.

Nós nos conhecemos através dos nossos melhores amigos nas férias do ano passado. Não acredito que nunca nos esbarramos por aí, a cidade não é grande e temos quase os mesmos gostos e vários amigos em comum. Laura estava começando um namoro com o Caio, então saímos nós quatro e desde então, somos grudados. Eles completaram um ano de namoro, nós dois? Um dia após o outro. Não somos de rótulos, não mudamos status das redes sociais, só seguramos a mão um do outro naquela tarde e não soltamos mais.

Daqui duas semanas ele faz aniversário, eu preparei uma surpresa, mas é segredo! Diferente dele, eu mantenho quase sempre minha boca fechada. Dois meses atrás, foi meu aniversário e ele também preparou uma festa surpresa, o problema foi que algumas horas antes ele me contou dela. O plano era que todo mundo esquecesse a data, Laura sempre fala que sou chata e adivinho todas as surpresas, então eles estavam determinados a me pegar nessa. Mas é que ele ficou tão animado que seria o primeiro aniversário que passaríamos juntos que deixou escapar toda a informação.

No final, deu tudo certo. Eu fingi que era surpresa, guardamos esse pequeno desastre e ninguém saiu chateado. Não tinha outro jeito, como é que a gente culpa esses olhos da cor do mar, me implorando por perdão?

Eu não sou de falar muito, mas ele é incrível, em todas as definições possíveis que ela palavra possa ter. Queria roubar ele para mim, esconder em um potinho. Ao mesmo tempo quero mostrar para todo mundo a sorte que eu tive quando tropecei na frente dele. Não, eu realmente tropecei, naquele dia que saímos com Laura e Caio eu levei o maior tombo e caí em cima dele.

Que cupido o meu viu, foi torto mas caprichou. Caprichou tanto que estou aqui, suspirando alto, enquanto ele está na varanda cantando nossa música, aquela sobre o décimo segundo andar e o bairro da Laranjeiras. Por acaso nosso andar, por acaso nosso bairro, por acaso comecei a acreditar que nada é tão por acaso desde que o encontrei.

-Vem para cá, o que você tanto faz aí? Acho que ele adivinhou que eu estou aqui no meu cantinho, falando dele para vocês.

-Estou indo! Já gritei de volta, antes dele correr para xeretar meus rascunhos. Ele é curioso que só.

Já viram né? Depois volto aqui, conto mais, falo de nós dois. Vocês entendem né? O amor chamou e como não sou boba nem nada, vou lá atrás de ficar bem grudada nele.

E olha que não somos esse tipo de casal grudento, pelo contrário, meu espaço, meu espaço, o espaço dele, espaço dele. Mas é domingo também conhecido como o dia da preguiça e de ficar ali, deitada bem do ladinho, escolher um filme no Netflix e forrar o estômago só de pipoca.

Prometo voltar, aqui o que não falta é assunto, principalmente, se for para falar sobre o meu preferido.

 

 

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