90699b33454ceccbe8ea3f89a90f2603Nós vivemos em um mundo com rótulos, mas não quero falar sobre eles por aqui.

Me deu foi vontade de falar sobre o que sem perceber aprendi com a minha mãe.

Minha mãe passou a vida inteira com o meu pai. Começaram a namorar aos 17 anos, casaram 10 anos depois e estão juntos até hoje. Minha mãe sempre teve a vida dela, como mulher, e a vida como esposa e mãe. Trabalha em casa e trabalha fora. Aliás, trabalha fora desde pequena, quando queria apenas um dinheiro para ir ao cinema.

Meus pais não são nada parecido. Minha mãe é extrovertida, “da galera” sabe? Já meu pai prefere ficar no cantinho dele, mas nem por isso, ela nunca deixou de dançar a noite inteira em uma festa e ele nunca a proibiu de nada, mesmo não levantando e a acompanhando para o meio do salão. Até porque, a única pessoa que teria o direito de proibir algo, seria ela mesma.

Minha mãe sempre foi cheia de vontades, ainda é, e sempre fez todas. Meu pai nunca foi contra, pelo contrário, sempre deu força.

Foi nos pequenos detalhes que minha mãe me ensinou que nós mulheres podemos conquistar tudo o que os homens também podem. Não é questão de gênero, é questão de força de vontade e ir atrás do que você realmente quer. Me ensinou que um relacionamento é para transbordar e não complementar. Eu não preciso procurar no outro o que falta em mim, primeiro preciso me completar, para assim conseguir achar o outro.

Me ensinou que eu não nasci feita para isso ou para aquilo. Eu sou feita para o que eu quiser fazer.

Sou péssima com deveres da casa, não sei passar roupa e sou toda atrapalhada. Mas aprendi que cada um deve fazer sua parte em casa e isso inclui meu pai. Sabe, eu até prefiro que ele não lave a louça, não por achar que essa não é sua obrigação, mas porque ele não lava direito. Quando ele souber que eu disse isso aqui, irá negar com todas as palavras. Desculpa pai, mas é a verdade.

Minha mãe nunca usou qualquer “chismo” ou “nismo” dentro de casa. Tudo bem, somos sensíveis e com trejeitos delicados, mas nós garotas somos duras na queda. Falo pelo meu pai, uma manteiga derretida e pela minha mãe, a pessoa que segura aos trancos e barrancos todos os problemas da casa, da família, do trabalho e de quem for próximo dela.

Minha mãe me ensinou a ser livre e a ter o controle da minha liberdade. Liberdade para ser quem eu sou, para usar as roupas que eu quero, mesmo quando apareço com calças inteiras rasgadas, ouvir e ver filmes independente de qualquer coisa, lá em casa nunca teve essa de “esse filme não é adequado para você”. Aprender com meus erros e não deixar de lado minhas pequenas vitórias, independente do tamanho, elas também devem ser reconhecidas.

Mas tudo com respeito. Respeito a opinião de cada um, mesmo que eu não concorde em algo. Aprendi que somos diferentes e é essa a melhor parte do mundo: sua diversidade.

Espero um dia passar tudo o que minha mãe me ensinou para os meus filhos, sejam eles meninos ou meninas.

Minha mãe nem deve conhecer a expressão Girl Power, mas olha, ela me ensinou todas as definições possíveis desse termo.

Quer saber do mais? O problema não é você gostar de azul ou rosa, sua opção sexual ou qualquer diferença ainda criticada pelas pessoas. O problema é você não enxergar o que tá dentro das pessoas e não tratar com algo que é de graça, nasce com a gente e o que devemos dar sem esperar receber: amor.

Use o que você quiser, seja você mesmo, pense, seja o “chefe”.

 

 

 

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